Cada vez mais o Brasil vem reconhecendo as pessoas com altas habilidades/superdotação, mas como os psicólogos, professores e pais podem observar os primeiros sinais de um potencial elevado?

Estimativas apontam que, no mínimo, 3 a 5% da população geral apresenta altas habilidades/superlotação, isso significa que em nosso país teríamos mais de 5 milhões de pessoas nessa condição.
Todo superdotado nasce com um potencial, uma habilidade acima da média, mas depende do ambiente que o cerca, dos estímulos e desafios para que ele se transforme em talento expresso. Se uma criança nasce com dom para música, mas nunca entra em contato com um instrumento musical, esse potencial ficará escondido por toda sua vida.
Características como boa memória, rapidez de pensamento, vocabulário rebuscado para a faixa etária, aprendizagem rápida, criatividade, liderança, interesse por pessoas mais velhas, motivação para assuntos de interesse e persistência podem se manifestar facilitando a identificação. O fato é que uma criança pode apresentar tais características ainda muito pequena, começando a andar, falar, ler e escrever antes do esperado para a faixa etária e isso pode assustar os pais.

Mas, o que fazer para não desperdiçar o potencial do filho?
O primeiro passo é procurar entender um pouco mais sobre o tema e observar se seu filho se sente feliz e motivado em suas atividades diárias, inclusive na escola. Crianças superdotadas necessitam se sentir desafiadas para aprender e desenvolver seus talentos e esse desafio pode ser oferecido por meio de atividades extras, voltadas para as áreas de interesse, portanto, o segundo passo seria descobrir quais são estas áreas para estimulá-las.
Se os pais considerarem importante, podem procurar um especialista para realizar uma avaliação adequada. Atualmente existem psicólogos e instituições especializadas nessa temática, que realizam uma avaliação compreensiva e contextualizada da criança não se restringindo apenas ao teste de Quoeficiente de Inteligência, o chamado teste de QI. Esse teste, muito utilizado tempos atrás, é capaz de mensurar apenas algumas áreas da inteligência humana, não podendo ser entendido como um fator predominante no processo avaliativo.
Vale lembrar que é preciso considerar como essa inteligência é potencializada sendo o ambiente crucial para o desenvolvimento dessas crianças.
É possível, ainda, reconhecer as altas habilidades/superdotação em pessoas adultas, essas também podem procurar um especialista para realizar uma avaliação.
O mais importante é que os pais procurem observar se seus filhos estão felizes e bem adaptados. Superdotação não é sinônimo de doença e não precisa ser tratada, a grande questão é que essas pessoas apenas tem um modo diferente de estar no mundo.
Os profissionais psicólogos também precisam conhecer e estar atentos às características desta população para não correr o risco de patologizar comportamentos que compõem o perfil de uma pessoa superdotada, que possui um modo de funcionamento diverso.

Denise Arantes Brero – CRP 06/70.153

  • Psicóloga
  • Especialista em Altas Habilidades/Superdotação
  • Doutora em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
  • Presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação – ConBraSD

@denisearantesbrero
www.denisearantesbrero.com.br
denisearantesbrero@gmail.com

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